HSSuffer: Hidradenitis Suppurativa, Ictiose, Auto-Hemoterapia, Disordens Cutâneas, Doenças Raras e Auto-Imunes

Hidosadenite Supurativa, Ictiose, Doenças Raras, Auto-Hemoterapia e tratamentos na Medicina Alternativa abordando aspectos Psicológicos e sequelas que envolvem seus portadores

Detalhes de uma madrugada SÓRDIDA


Essa madrugada foi um caso sério. Tive a oportunidade de experimentar vários fatos em um curtíssimo espaço de tempo e para bem ou para mal, sei que os superei ou não estaria aqui falando sobre eles agora!

Sorte ou má sorte, porque não gosto definitivamente do nome ”azar”. Traz “azar”! (RS) Já faz 4 dias desde a última aplicação da auto-hemoterapia. Isso significa que estive no ápice e agora está caindo a imunidade. O organismo está mais indefeso aos ataques quaisquer, não só externos. A própria disposição física e mental se altera com a mudança de todo o seu metabolismo… O psíquico é uma Maria vai com outras… Acreditem ninguém escapa!

Mas incontestavelmente minha percepção acerca dos acontecimentos alheios a mim estão mais sensíveis, mais claros, eu diria. Não fosse a protagonista desses episódios, eu juro que seria astro de cinema. Vamos entender assim, contos de ficção é meu mais novo atributo, antes que o manicômio se torne uma realidade! Hipótese com certeza já foi o pensamento de alguém à meu respeito! (RS) Como culpá-los?

Passei o dia sem querer olhar o meu rosto no espelho. Usei uma segunda pele toda bege, do pescoço aos pés e usei um vestido longo por cima. Estava composta! Era o suficiente para minha filha não criticar e/ou ter “vergonha” de mim… Com o raciocínio já semi dopado por drogas artificiais industrializadas para controlar a pressão, para controlar a quantidade de líquidos retida no organismo, para controlar a ansiedade, etc. e tal não escapei de um antibiótico que minha mãe me fez engolir a força e ainda disse que era pra tomar de 8 em 8 horas. Só tomei aquele e sob pressão. Faz 8 meses que aboli qualquer antibiótico do meu organismo, qualquer um… Já usei de todos e só me deram efeitos colaterais que não pagaram o preço das tentativas de benefício qualquer. Bem, sou uma garota asseada, então não podia escapar do banho. Bendita hora! Tive que me olhar no espelho e pior, observar parte por parte, limpar e cuidar de detalhe por detalhe. OK! Boas e más notícias. Na última semana estive administrando 6 novos abscessos; 3 nas axilas e 3 na genitália. Escore do dia: um da genitália regrediu e desapareceu sozinho, os outros dois supuraram e estavam regredindo tendendo a desaparecer também. Na axila, dois eu já havia furado e espremido retirando o excesso da purulência e estavam regredindo também. MAS, como estava tudo indo bem demais… Havia este que estava tomando desde a axila até meio do braço. Comprido, tomando toda a extensão do músculo sem um único furinho… Lindo, vermelho, grande, alto e doendo demais, pulsando… Já não sentia meu braço, só a dor!

Bem, a doutora se recusou a abrir uma incisão no Tito cujo me dizendo que a inflamação estava muito grande. Que mesmo para qualquer cirurgia seria necessário aguardar que ele desinflamasse; o que seria necessário me ministrar antibióticos e aguardar para ver se os efeitos agiriam como DEVERIAM, mas que nunca aconteciam… Infelizmente, a maioria dos antibióticos nunca me trouxe nenhuma melhora com referência a HS! Lástima! Também acho. Mas contra fatos não há argumentos, então… Vamos lá!

Em meio a minha insanidade mental, já era quase fim de tarde, já havia escurecido aqui. Havia terminado o banho também. Estávamos somente eu e ele, o mundo parecia ter desaparecido. Muni-me de uma tesoura e me disse: Isso é só CARNE e eu sou mais que isso. Nossa! Pena que eu não tinha nenhum anestésico. SACANAGEM. Apoei o braço numa posição adequada, observei a direção do comprimento das fístulas internas, meti a tesoura e cortei. Bastou que a lâmina saísse da carne para que a purulência começasse a jorar… Fiquei com a mão em concha embaixo do braço como que apreciando aquilo, até minha mão se encheu e começo a derramar. Aquele líquido esverdeado, nojento… Aquilo podre estava dentro de mim. Era só o que eu conseguia pensar enquanto via aquela cascata de gosma esverdeada cuspir aos pulos de dentro do meu braço… Eram uns 3 grandes buracos interligados internamente por fístulas criando uma rede de comunicação abaixo da derme sob a musculatura. Parecem inteligentes né?

Cheguei numa situação então difícil de administrar sozinha. Gritei por socorro! Quem sobrou? A caçulinha daqui de casa, que por Deus, também tem bons conhecimentos na área de saúde. Ela costumava, antigamente, a auxiliar as cirurgias da doutora e também tem excelentes dons para enfermagem! Eu chamo isso de “sorte grande”! A minha, claro!

– GALEGAAAA! Corre que preciso de ajuda!

Lá vem ela doidinha! – Você acabou de enlouquecer foi? Quer que eu te coloque num hospício?
– Só quero que você acabe de espremer tudo que puder e tire isso de mim, o corte já está feito, você pode?

– Deve tá doendo pacas. Você vai agüentar que eu esprema?

– Arranca! Eu emito qualquer som se eu não tolerar a dor. Certo?

– Tudo bem! O pior você já fez mesmo, mas não acho que você vá suportar. Me diga quando doer muito que eu paro. Deixa primeiro eu limpar isso tudo aqui antes que acabe de infeccionar mais do que pode…

Foram duas toalhas para limpar tudo e muito algodão com bicarbonato de sódio e iodo para desinfetar a área. Então eu fechei os olhos, pendi a cabeça para o lado contrário e REZEI.

-Senhor, sinto-me uma leprosa, apodrecendo por dentro, sinto a deterioração dos pedaços que compõe essa matéria que me serve de moradia temporária. Mas preciso dela para cumprir o que foi designado, mesmo sem consciência ao certo de sabê-lo. Apenas sinto essa enorme certeza! Minha consciência ainda é por demais ligada a essa matéria, mas permita-me com o auxílio da tua misericórdia desligar-me e tolerar pacientemente os ajustes, certa que a eternidade é o tempo disponível para os reajustes… Auxilia-me nesse percurso se assim for possível. Obrigada por tudo! Amém.

Bem… Seria hipocrisia dizer que não doeu. Mas enquanto a “galega” espremia e mexia daqui e dali, eu ainda ficava me recordando de um livro que li há uns 10 anos atrás que se chamava “Hipnocibernética”… Inclusive vou procurá-lo para lê-lo novamente… Eu não emiti nenhum som… Era como se estivesse cochilando ou tivesse sido dopada. Sentia como beliscões leves e ouvia minha irmã gritar toda vez que uma quantidade volumosa da secreção entrava em erupção. Resultado que a quantidade da purulência drenada foi de quase 700 ml do meu braço ( o equivalente a 3 copos) … Desinchou um bocado, com certeza! (RS) Ela só parou quando começou a escorrer SANGUE…

Creio que esse processo todo durou cerca de 3 a 4 horas de relógio. Coitadinha de minha irmã! Foi-me um anjo! Apesar das broncas e dos sermões que tive que escutar CALADA! (RS)

Quanto a DOR! Acho que de tão grande ela toma conta de você e se torna sua própria anestesia. Do contrário seu cérebro apaga. Isso mesmo, o desmaio! É uma defesa automática do organismo em situações que ele acredita não suportar. Eu não desmaiei. Mas meu esforço para me desconcentrar drenou todas as minhas forças. Suei muito e adormeci depois sem qualquer entorpecente! A DOR lhe suga todas as forças. É impressionante!

Não sei por quantas horas fiquei apagada. Talvez 10 horas seguidas… Bem… O show tem que continuar, para todos! Quando abri os olhos, olhei logo para o braço. Ele ainda estava lá e eu já podia movê-lo sem dor… Então é hora de tomar um banho, acordar para a vida que espera e tentar com motivação superar TUDO que as horas seguintes prometem trazer como experiência…
tic tac tic tac tic tac
Por Roberta Achy

2 Comentários»

  Thay wrote @

So um comentario a fazer……Sentir dor em mim!!!!

aiaiaiaiiaiaiaiaiaiaiai

Ta doendo a minha alma!


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