HSSuffer: Hidradenitis Suppurativa, Ictiose, Auto-Hemoterapia, Disordens Cutâneas, Doenças Raras e Auto-Imunes

Hidosadenite Supurativa, Ictiose, Doenças Raras, Auto-Hemoterapia e tratamentos na Medicina Alternativa abordando aspectos Psicológicos e sequelas que envolvem seus portadores

Arquivo de janeiro, 2010

AUTOHEMOTERAPIA – O impacto médico do século

Certo dia, quando chegou os DVD´s que havia comprado de São Paulo, da série de TV americana ‘Babylon 5’, o professor Ed Garcia percebeu que havia um outro DVD junto daqueles, sem que ele houvesse pedido. Estava escrito a caneta, de tinta azul, no disco: ‘Auto-Hemoterapia: Contribuição para a Saúde’.

Ele, então, ligou para o rapaz de que havia comprado e falou sobre o DVD. O vendedor disse que uma senhora, que contou que aquele filme a tinha ajudado muito e até mudou de vida, pediu para ele fazer 50 cópias daquele vídeo e distribuir, mas a cópia tinha ido parar nas mãos do professor Ed por engano. Como ficaria muito caro mandar novamente o DVD para São Paulo, a cópia ficou em sua casa.

No começo ele não se interessou muito, porém, um dia colocou e assistiu um pouco. No vídeo apareceu um médico, já idoso, chamado Luiz Moura, que explicava o que era auto-hemoterapia, de forma bem simplificada: é a retirada do sangue da veia e aplicação, na mesma pessoa que se retirou o sangue, nos músculos do braço ou nas nádegas.

A compensação para quem faz essa terapia é um estímulo imunológico. ‘É um método facílimo, com custo baixíssimo. Basta apenas uma seringa. O sangue é retirado no momento, não se faz nenhuma técnica com o sangue. E ter uma pessoa que saiba aplicar na veia, para fazer a retirada’, explica Dr. Luiz Moura, no DVD.

O segredo da auto-hemoterapia está nas células chamadas macrófagos, que fazem parte do Sistema Imunológico. São células de defesa, que fazem a limpeza ou comem de tudo: as células cancerosas, os vírus, as bactérias, e até as fibrinas, que é o sangue coagulado. O Dr. Luiz Moura explica que a aplicação do próprio sangue funciona como um ativador de macrófagos.

Quando o sangue é aplicado no músculo, o Sistema Retículo-Endotelial (SRE) o reconhece como um corpo estranho e é rejeitado, assim há o aumento de produção de macrófagos pela medula óssea. ‘A taxa de macrófagos no sangue é de 5%, com a auto-hemoterapia, eleva-se para 22%’, diz o médico. Isso significa, em linhas gerais, que o organismo fica super protegido.

Essa taxa fica nesse valor por cinco dias e depois começa a declinar. No sétimo dia já se normalizou. Por isso, o procedimento deve ser repetido de sete em sete dias. O processo é muito lógico e fácil de entender, com a quadruplicação dos macrófagos, o organismo aumenta quatro vezes também o poder de destruir corpos estranhos como: vírus, células cancerígenas, bactérias, doenças auto–imunes (que é uma reação do organismo quando uma proteína normal é reconhecida como estranha, por exemplo, artrite reumatóide, lúpus, diabete tipo I, vitiligo, esclerodermia, psoríase), inclusive para Aids, pois com o sistema imunológico ativado aumenta as chances de bloquear os efeitos da doença. Quer dizer, para quase todas as doenças, mas principalmente também, como prevenção.

Mudança de vida

 ‘Arrisco dizer que salvou minha vida, meu mestrado e meu casamento’, diz o professor Ed Garcia. Por coincidência ao assistir o vídeo, como uma cura quase milagrosa, ele estava com um quadro de paralisia das pernas há alguns anos, mal ficava de pé, as pernas inchavam, a panturrilha empedrava quando ficava sentado por mais de uma hora. Sem contar as cãibras quase o tempo todo. Chegou ao ponto de ficar deitado por seis meses. Ele fazia um tratamento no Crer, mas não estava surtindo efeito. Os médicos achavam difícil que voltasse a andar.

E ele acreditou naquele vídeo, naquele senhor que explicava de forma tão didática, simpática e com entusiasmo o que era, como funciona e o porquê desse método. Passava uma credibilidade e fidedignidade. Ele conta que usa nele mesmo e na esposa, para prevenção ‘Me protege contra o câncer e outras doenças do dia a dia’. Nem as vacinas para gripe para idosos, (ele estava com 79 anos, hoje está com 81), quando o Governo faz as campanhas, ele toma. ‘Com a auto-hemoterapia não preciso nem a minha esposa. Tenho o meu sistema imunológico ativado’. Até dá uma amostra de como é a aplicação, fazendo na própria esposa.

Além do mais, o Dr. Luiz Moura não estava ganhando nada com aquilo. O vídeo era caseiro, feito de forma simples, sem grandes recursos e não estava sendo comercializado. A técnica que ele ensinava também era simples e de baixo custo.

Na segunda aplicação de auto-hemoterapia as pernas do professor Ed desincharam completamente. Hoje, além das pernas não incharem mais, a panturrilha não empedrar e não sentir mais dor, Ed voltou a caminhar, com certa dificuldade ainda. ‘As pessoas tem que entender que não é milagroso, o efeito não é imediato’, diz.

E não é só a aplicação. No caso de Ed, que se consultou com um terapeuta, mudou a alimentação. O terapeuta prescreveu, junto com a auto-hemoterapia: um copo de 200ml de suco de chuchu, três vezes ao dia; meio chuchu, um folha de couve, duas folhas de hortelã, uma colher de mel e um limão. Além de não deixar de fazer a fisioterapia, e ainda começar uma hidroginástica.

Médicos nervosos, pacientes satisfeitos

Uma seringa e um pouco do próprio sangue. Está é a base de uma receita do Dr. Luiz Moura para uma polêmica dentro da medicina. Quando em 2004 foi feito o DVD ‘Auto-Hemoterapia: Contribuição para a Saúde’, a intenção do médico era apenas divulgar a técnica que ele já vinha fazendo há muitos anos, com ótimos resultados e com baixo custo, para que o maior número possível de pessoas tomasse conhecimento. ‘Poderia ser usado em regiões que as pessoas não têm recursos’, coloca o Dr. Luiz Moura.

No boca a boca, através de pessoas beneficiadas pela técnica (como a senhora que fez cinqüenta cópias do DVD pra distribuir), e principalmente pela internet (que pipocam grupos de discussões e comunidades no Orkut sobre o assunto, em que além de se discutir a auto-hemoterapia, há vários relatos de pessoas que utilizam, e o vídeo em sites como o Youtube), a imagem do velhinho simpático falando como retirar o sangue da veia e aplicar no músculo tomou proporções nunca imaginadas por quem produziu o vídeo, muito menos pelo próprio Dr. Luiz Moura.

O fenômeno midiático e a procura pela auto-hemoterapia nas cidades brasileiras provocaram a ira dos médicos, que saíram ao ataque contra a técnica, com argumentos pouco satisfatórios, chegando ao fato de esculachar e zombar, não respeitando os pacientes que se submeteram. ‘É charlatanismo. É efeito placebo’, são algumas definições que se escutam dos ‘doutores’.

Como o Conselho Federal de Medicina (CFM) não reconhece a prática, todos os Conselhos Regionais também não, mas nenhum dá uma explicação plausível. Em nota para a imprensa, o presidente do Cremego, Salomão Rodrigues Filho, justificou que esse método não tem respaldo científico nem eficácia terapêutica, além de expor o paciente a riscos, dependendo das condições em que o sangue é retirado e reaplicado, a pessoa pode sofrer infecções, apresentar hematomas e outras complicações.

A fundamentação

A auto-hemoterapia não foi uma criativa invenção da mente do Dr. Luiz Moura. As bases dele foram dois trabalhos científicos e também seu empirismo clínico. Em março de 1940, o professor Dr. Jessé Teixeira publicou na Revista Brasil – Cirúrgico o trabalho ‘Autohemotransfusão: Complicações Pulmonares Pós-Operatório’. Naquela época a grande dificuldade era as infecções pulmonares pós-operatórias, frutos do éter usado para anestesiar, que irritava os pulmões; daí a grande importância desse trabalho, tanto que foi premiado pala Academia de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.

Com esse trabalho o Dr. Jessé Teixeira descobriu uma maneira de combater essa infecção pulmonar, retirando o sangue de uma veia da prega do cotovelo do paciente e injetando na nádega. Na pesquisa, ele utilizou o método em 150 pessoas, em diferentes cirurgias, não apresentado nenhuma infecção. E comparou com outras 150, que não usaram a técnica, nas mesmas cirurgias, obtendo 20% de infecções.

Como aquela não era a primeira experiência de autohemotransfusão (o trabalho do Dr. Jessé foi baseado no artigo do Dr. Michael W. Mettenlette, ‘Autohemotranfusion in Preventing Postoperative Lung Complications’, publicado em maio de 1936, no The American Journal of Surgery, em que foram relatados os excelentes resultados do processo, como método preventivo das pneumonias pós-operatórias declaradas), tinha-se uma ‘explicação razoavelmente clara e perfeitamente aceitável’, nas palavras de Dr. Jessé, em seu trabalho, de como funciona. ‘Quando o sangue empregado fora de sua situação normal, no aparelho circulatório, ele se torna uma substância completamente diferente para o organismo’. Assim, o sangue extraído de uma veia e colocado em contato com um corpo estranho (seringa), tem-se sua físico-química alterada. E ao ser injetado no organismo atua como uma proteína estranha.

E não ficou apenas nisso, a maior contribuição do Dr. Jessé Teixeira para a auto-hemoterapia foi a constatação científica do porquê de a injeção do próprio sangue no paciente prevenia e combatia as infecções, estimulando o Sistema Retículo-Endotelial, e conseqüentemente aumentando a produção de macrófagos, as células responsáveis pela defesa. Provocando a formação de uma bolha na coxa de pacientes, passando cantárida, um inseto que transformado em pó é usado na medicina e é irritante na pele. Analisando o conteúdo da bolha, ele verificou que a quantidade de macrófagos era de 5%. Fez o mesmo experimento outras vezes e a taxa continuava a mesma. Depois fez a experiência com a auto-hemoterapia. Após oito horas a taxa estava em 22%, para depois ir decaindo gradualmente, e no fim do sétimo dia voltou para os 5% iniciais.

Após 36 anos desse trabalho, em março de 1976, o Dr. Ricardo Veronesi, publicou na Revista Medicina de Hoje o artigo ‘Imunoterapia: O impacto médico do século’, que nas palavras do Dr. Luiz Moura sobre os dois trabalhos, ‘parece que um foi feito para o outro’. O artigo do Dr. Veronesi não falava especificamente de auto-hemoterapia, mas explicava bem as funções do SRE, ampliando o leque de ações, que na época do Dr. Jessé Teixeira se restringia às infecções causadas por bactérias.

Os estudos em imunologia já haviam avançado muito é se tinha descoberto novas funções para o SRE: limpeza de partículas estranhas provenientes do sangue ou dos tecidos (inclusive células neoplásicas, cancerígenas), toxinas e outras substancias tóxicas; limpeza de esteróides e sua biotransformação (eliminação de hormônios);  remoção de micro agregados de fibrina e prevenção de coagulação intra vascular (previne tromboses e infatos); ingestão do antígeno, seu processamento e ulterior integra aos linfócitos B e T (antígeno que produz a reação alérgica); biotransformação e excreção do colesterol; metabolismo férrico e formação de bilibirrubina; metabolismo de proteínas e remoção de proteínas desnaturadas (anormais); e desintoxicação e metabolismo de drogas.      ‘Respondendo por tantas e tão importantes funções, fácil é de se entender o papel desempenhado pelo sistema RH no determinismo favorável ou desfavorável de processos mórbidos tão variados como sejam os infecciosos, neoplásicos, degenerativos e auto-imunes’, conclui Dr. Ricardo Veronesi sobre a função do SRE. Esse trabalho de imunoterapia se restringia na importância de se estimular o Sistema Imunológico do organismo, mas através de vacinas, já que o Dr. Veronesi era, na época, um dos maiores especialistas nessa área.

Ele descreve o SRE como o principal componente do Sistema Imunológico, tanto que tem maior destaque em seu trabalho. E sua ativação na imunoterapia é fundamental. Essa estimulação produz mais macrófagos, que são as células que fazem a limpeza e destruição de partículas estranhas. É a mesma lógica da auto-hemoterapia. A única diferença é a utilização do próprio sangue. 

Só esses trabalhos ainda não são suficientes para ter uma ‘fundamentação científica’. Mas ainda há outros. Em 1911, F. Ravaute já empregava a auto-hemoterapia em diversas enfermidades infecciosas, dermatoses, em casos de asma, urticária e estados anafiláticos.

O Conselho do Rio de Janeiro (Cremerj), num parecer sobre a prática da auto-hemoterapia, em que condena o uso, não aceita esses trabalhos por serem antigos. ‘Não há na literatura médica recente, ou mesmo antiga (até 20 anos), nenhuma referência que recomende a utilização da hetero ou auto-hemoterapia. Utilizar este tipo de prática para reforçar o sistema imunológico, tratar cânceres ou qualquer outra doença, de qualquer etiologia, não tem absolutamente nenhum respaldo em trabalhos científicos’, diz o parecer.

O próprio Dr. Luiz Moura, no DVD, ressalta a importância e necessidade de se fazer estudos sobre auto-hemoterapia. Em relação a quantidade, o peso corporal, a técnica em crianças e adultos. Porém, esses trabalhos e a prática também geram outras dúvidas: não ficou bem explicado no trabalho do Dr. Jessé Teixeira o motivo do sangue ao ser injetado no músculo estimula o SRE. Em quais doenças que realmente funcionam? Pela função dos macrófagos são várias, mas teria que estudar uma por uma. Pode-se haver casos de pessoas não recomendadas para a terapia? Produz-se algum efeito com o uso contínuo?

Nesse último caso, o Dr. Luiz Moura é o exemplo que não faz mal, pois usa a técnica há 28 anos e tem uma ótima saúde. Ele confirma que os estudos dele vieram todos da prática. ‘Tenho certeza que é uma técnica absolutamente inocente que nenhum mal faz para as pessoas’. Apenas em casos graves ele recomenda que se faça a aplicação toda semana. Em outros, diz para o paciente dar um tempo entre uma e outra. Não por fazer mal, mas para descansar os músculos e veias.

Além da esculhambação da classe médica, os argumentos usados pelo CFM e os Conselhos Regionais são, no mínimo, cômicos. Fala-se que esse método (injetar o próprio sangue) pode oferecer riscos para a saúde, mas não falam quais. Outro ponto engraçado é em relação ao perigo do uso de agulhas e seringas. Esse, então, seria o mesmo risco que qualquer pessoa corre ao se submeter a um exame de sangue ou tomar uma vacina.

Mas o mais importante é sobre os efeitos ou benefícios terapêuticos, que segundo os Conselhos de Medicina e classe médica em geral, não existem. Não há ainda uma pesquisa especifica de auto-hemoterapia, com tudo comprovado. Porém, não se pode ignorar o fato de que várias pessoas estão utilizando a aplicação e estão melhorando, em relação a várias enfermidades.

‘Medicina é a arte de curar. Eu só tenho um compromisso com os meus pacientes: aliviar o sofrimento e se possível curar. E por isso, não respeito os chamados padrões científicos. ‘Isso não posso fazer porque não é comprovado pela ciência’. Para mim, o que comprova qualquer coisa é o efeito do tratamento. Se produz benefícios para o paciente, é um tratamento cientifico. Mesmo que não saibamos quais os mecanismos de ação. Eu uso recursos sejam quais forem para beneficiar os pacientes. Depois, então, tenho uma mente com forte tendência para investigação, não me satisfaço e procuro saber o porque se curou’, conta o seu modo de trabalho Dr. Luiz Moura.

 Por que não há interesse?

O professor Ed Garcia afirma com convicção que auto-hemoterapia é medicina social. Praticamente tendo apenas o custo da seringa. E quando se fala em dinheiro, o social e o humanismo desaparecem, ficando apenas o econômico. Ao perguntar para qualquer paciente que faça aplicações ou para os profissionais que aplicam e prescrevem, por que a classe médica não aprova nem se interessa pelo assunto? Por que não existem pesquisas? Surge um vilão para a auto-hemoterapia: a indústria farmacêutica.

Remédios e medicamentos são boas fontes de lucros. Os laboratórios investem pesado nos estudos e pesquisas de novas formas de tratamentos. E, evidentemente, querem retorno. Essa é a lógica do mercado.  O Dr. Luiz Moura, que dá a cara para bater sem medo, e não é muito querido pela indústria farmacêutica (tanto que quando foi presidente do INPS, hoje corresponde ao INSS, no governo do presidente Emílio Garrastazu Médici, chocou-se de frente com a mesma, o resultado, além de ameaças de atentados, ficou apenas sete meses à frente da instituição), canta a pedra sobre o interesse dos laboratórios: ‘Nem pode haver. Estão certíssimos, só vai dar prejuízos’, fala o médico. ‘Vai vender o sangue dos próprios pacientes?’.

Mesmo não dando para contar com os financiamentos da indústria farmacêutica, ainda há os médicos e as universidades que podem ter interesses. ‘A maioria está comprometida’, continua Dr. Luiz Moura. O marketing feito pelos laboratórios é muito grande. É normal o paciente receber dos médicos, nas consultas, amostras grátis, que são pequenos brindes da indústria aos profissionais.

Mas o lobby não fica apenas nisso. Isso seria muito pequeno. Além dos recursos para pesquisas, já são famosas as acusações do financiamento dos laboratórios para médicos e professores universitários irem a congressos e viajar. Isso com tudo incluso, inclusive podendo levar a família. ‘É um investimento estritamente inteligente’, ironiza Dr. Luiz Moura. ‘Eu faria o mesmo’.

Uma matéria publicada no jornal New York Times, no dia 12/02/2007, de autoria de Stephanie Saul, ‘Médicos e laboratórios farmacêuticos: uma medida para acabar com os conflitos de interesses’, mostra que nos Estados Unidos há grupo de médicos insatisfeitos com essa ‘promíscua’ relação, condenando até mesmo os almoços gratuitos entregues nos consultórios médicos e as canetas com logotipo de laboratórios.

Junto com a Community Catalyst, um grupo de defesa de pacientes, e o Instituto Medicina como Profissão, lançaram o Projeto Prescrição, que será uma campanha nos centros acadêmicos, entidades de médicos, para disseminar essas restrições e basear as prescrições de medicamentos em evidências médicas, não em marketing.

  Pacientes desobedecem médicos

Enquanto a comunidade médica fica discutindo, ou melhor, ironizando a auto-hemoterapia, chamando de charlatanismo, xamanismo, curandeirismo, e outros ismos, e ninguém quer fazer pesquisas nem torná-la aceita pelo CFM; os pacientes, que não encontraram cura nos medicamentos prescritos, continuam procurando as aplicações. E os resultados são fabulosos.

Em Goiânia, o professor Ed tem o seu terapeuta, que também atende outras pessoas. O terapeuta, adepto das terapias complementares, aprendeu sobre a auto-hemoterapia em seu curso de Medicina Biomolecular, e sabe muito bem que não há nenhum risco. Ele diz que qualquer alimento industrializado, consumido diariamente pela população, tem mais chances de fazer mal, por ser um corpo estranho e com muitas substancias nocivas ao organismo.

Mas o terapeuta não é o único. Um farmacêutico que aplica, sem cobrar nada, apenas para ajudar, conta que já são mais de cem pessoas fazendo em sua farmácia. Ele decidiu fazer depois de aplicar em si mesmo, por ter um problema de acne, e ter uma cura que não havia tido com medicamentos.

Já que os médicos estão se escondendo, as pessoas buscam formas de fazerem as aplicações. Além de terapeutas, farmacêuticos e enfermeiras, o mais impressionante é o número de pessoas que faz em si mesmas. Aprende-se a manusear uma seringa e começa a aplicar na família e amigos. Até existe um grupo que toda semana se reúne para a aplicação. A técnica é simples, mas a displicência da comunidade médica faz com que os pacientes corram riscos, por não estarem aptos a retirar o sangue e injetar no músculo.

Essa proibição faz crescer o medo e apreensão. ‘Se ficarem sabendo que eu faço e tem resultados vêm aqui e me mata’, brinca o terapeuta. Porém, essa brincadeira tem um fundo de verdade. Quem faz não quer se identificar. Até mesmo os pacientes não gostam de se identificarem. O farmacêutico se mostrou relutante em conversar. Fica parecendo que estão fazendo algo errado, que faz mal para a população.

Em todo país surgem manifestações, e os Conselhos Regionais tentam perseguir.Em Rondônia, foi vinculado pela imprensa do Estado, que o Conselho de Medicina entrou com uma ação no Ministério Público contra os profissionais de enfermagem que fazem. Em Recife, um médico, Dr. Marcos Paiva, é um dos poucos do Brasil que tem coragem de assumir a auto-hemoterapia. Sem contar, que o Secretário de Saúde de Olinda, Dr. João Veiga, estuda a possibilidade de colocar o método na rede pública de saúde da cidade.

Mas o caso mais famoso é do Dr. Luiz Moura. Desde o final da década de 1970 ele estava aplicando a auto-hemoterapia e ajudando muitas pessoas no Estado do Rio de Janeiro. Ao sair o DVD, também passou a ser perseguido. Uma médica ‘ignorante’, nas palavras do próprio médico, o denunciou ao Conselho do Estado no ano passado. Dr. Luiz Moura teve que se defender para uma banca de 38 médicos, mas acabou sendo fácil, pois os argumentos que a médica usou foram ridículos e preconceituosos. Ele afirmou que o médico estava esclerosado, por causa de sua idade, em palavras populares, ‘estava gaga’. Para isso, ela usou o número de seu registro, 41.690, ou seja, já bem antigo, da década de 1940. No fim, Dr. Luiz Moura venceu a disputa por unanimidade, 38 a 0, e hoje está devidamente autorizado a praticar a auto-hemoterapia no Rio de Janeiro.

 O médico pop

Ao ser informado de que teria que tirar uma fotografia para a reportagem, o Dr. Luiz Moura não aceitou. ‘Por favor não faça isso. Estou adorando a matéria sem nem ter lido ainda. Mas tenho ojeriza por fotos’, disse ele para o fotógrafo. A secretária do médico depois avisou que se ele disse assim nem adianta insistir. O interessante é que ele esta´no vídeo circulando por todo o país.

Louco para alguns ou apenas excêntrico, Dr. Luiz Moura é muito conhecido na cidade de Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro, não apenas por causa da auto-hemoterapia, mas também por usar a energia orgônica (de forma simplificada, é a energia que liga a mente ao corpo e a os locais onde essa energia é percorrida, onde há o desequilíbrio ocorre as doenças) para tratamentos. Porém, o que mais impressiona é a máquina que possui, o Cloud Buster ou Rompe Nuvens, que tem o objetivo de se fazer chover, através da energia orgônica.

A energia orgônica é mais recente em sua vida. Já a auto-hemoterapia é desde que era estudante de medicina, em 1943. Seu pai, Pedro Moura, que também era médico, baseado nos trabalhos do Dr. Jessé Teixeira, usava o método nos pacientes que iria operar, e ensinou para o filho também, como retirar sangue e aplicar no músculo. E ele mandava Dr. Luiz Moura aplicar nos pacientes antes das operações, 10 ml de sangue, e cinco dias depois, com o paciente ainda internado, a mesma quantidade. ‘Ele teve uma das menores taxas de infecção hospitalar que vi até hoje’, conta o médico no DVD.

Por cerca de 30 anos, Dr. Luiz Moura usou a auto-hemoterapia em pessoa que fariam cirurgias e também em infecções de acnes juvenis. Em 1976, quando era Diretor-Assistente do Hospital Cardoso Fontes, no Rio de Janeiro, Dr. Luiz Moura conheceu as novas possibilidades da aplicação.

Quando o Dr. Floramante Garófalo, com 71 anos na época, se queixou de dores nas pernas, que quando caminhava 100 ou 200 metros tinha que se sentar por causa das câimbras, Dr. Luiz Moura o indicou para um angiologista, Dr. Antônio Vieira de Melo. O angiologista, após fazer uma arteriografia, constatou que sua artéria estava entupida, com uma obstrução de cerca de 10cm. Dr. Antônio Vieira de Melo propôs colocar uma prótese de material plástico para substituir as artérias entupidas.

O Dr. Floramante não aceitou isso, e Dr. Luiz Moura propôs tratar com a auto-hemoterapia. Durante quatro meses, de sete em sete dias, O Dr. Floramante levou uma seringa para o Dr. Luiz fazer uma aplicação de 10ml. No fim desses meses, ele não sentia mais nada. O Dr. Antônio Vieira de Melo não acreditou e atribuiu a sua melhora à sugestão, o famoso efeito placebo, a pessoa se convence que aquele tratamento pode surtir efeito e no fim melhora. Feita novamente a arteriografia, constatou-se que não havia mais obstruções na artéria.

Em retribuição, Dr. Floramante presenteou o Dr. Luiz Moura com os trabalhos de Jessé Teixeira (já conhecido dele), e um mais recente, do mesmo ano, 1976, de Ricardo Veronesi. Aquele foi o pontapé inicial para Dr. Luiz Moura passar a fazer auto-hemoterapia em mais casos, pois enquanto no trabalho mais antigo se falava na estimulação do SRE, o outro explicava as várias funções do mesmo.

Famoso pelas curas

Não foi bem uma solução de loucura usar a auto-hemoterapia. Dr. Luiz Moura praticamente fez experimentos, ou como o próprio diz, ‘meus estudos vêm de aplicação prática’, mas não foi irresponsável. No começo, depois que usou a primeira vez no Dr. Floramante, não partiu fazendo aplicações adoidadas. Ainda continuou por mais um tempo no Hospital Cardoso Fontes e houve alguns casos em que os médicos já não tinham esperança. Não havia mais nada a fazer. E ele propôs a aplicação. Como na sua segunda cura, ainda em 1976, de esclerodermia. Um caso crônico. Uma senhora entrou no hospital com a doença já em estado terminal. Esclerodermia é uma doença auto-imune, que deixa a pele da pessoa que nem a de um ‘jacaré’, explica o médico. O doente morre asfixiado. E naquela situação estava ocorrendo isso. Ele fez as aplicações, com doses cavalares, 20ml. Cinco em cada braço e cinco em cada nádega. Um mês depois, a paciente, que estava de cama há oito meses, saiu andando do hospital.

E as curas foram se sucedendo e sua fama se espalhando. Ele também passou a usar em si mesmo, juntamente com sua esposa. Também usou em sua filha, que era estéril, tinha  cistos nos ovários. Começou a fazer as aplicações e seis meses depois não tinha mais cistos, e pode engravidar.

Após vários anos aplicando, apenas no Rio de Janeiro e Visconde de Mauá, de forma anônima, apenas em pessoas que o procuravam para casos gravíssimos, em que nada mais havia como ser feito, Dr. Luiz Moura gravou o DVD, para divulgar esse método para todo país. E virou um astro pop. Consultas com ele são difíceis de serem marcadas. Só há vagas para depois de julho. Mas o objetivo foi alcançado, seja com polêmica e uma boa dose de rebeldia de quem não aceita os diagnósticos médicos, a auto-hemoterapia é uma realidade crescente e não há como a medicina fechar os olhos. ‘Com o tempo, espero que alguns colegas usem, eles serão pressionados pelos próprios pacientes’, falou Dr. Luiz Moura.

Auto-hemoterapia: Sangue que cura
Fábio Mendonça
fonte: http://www.filoterapia.com/redirect.php?ler=357

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